Essa capacidade de regeneração da argamassa deve-se essencialmente ao reforço de fibras sintéticas muito finas, que compõem cerca de 2% do volume total da mistura. As fibras formam uma rede que minimiza o fissuramento do elemento quando submetido a grandes carregamentos. De acordo com os pesquisadores, as fissuras devem ter menos de 150 micrômetros de espessura - de preferência menos de 50 micrômetros - para que a estrutura possa se regenerar. A espessura média das fissuras encontradas nos elementos produzidos com o ECC em Michigan fica abaixo dos 60 micrômetros.
Quando a fissura é aberta, a superfície do cimento extra-seco que compõe o ECC é exposta ao ambiente e reage com água e gás carbônico, formando uma fina camada de carbonato de cálcio. Em laboratório, o material exige até cinco ciclos de molhagem para recomposição completa.
A argamassa desenvolvida em Michigan permanece intacta e segura, segundo os pesquisadores, se submetida a forças tensoras de 5%. A tecnologia já foi adotada em projetos no Japão, na Coreia do Sul, na Suíça e na Austrália. O material foi usado em apenas algumas obras nos Estados Unidos.
O professor do departamento de engenharia de construção civil da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), Antonio Domingos de Figueiredo, observa que a aplicação do ECC no Brasil não é viável para a execução total de edifícios ou de estruturas, devido ao seu custo elevado. Vale lembrar que a argamassa é patenteada pelos pesquisadores de Michigan. "Acredito que, no País, o ECC possa ser utilizado para manutenção de certas estruturas que já estejam muito sobrecarregadas e que possuem uma circulação muito grande, como, por exemplo, em pontes", opina Figueiredo.