Ações de construção retomam alta

terça-feira, 12 de maio de 2009

Após terem sido demolidas pelo terremoto financeiro global, as empresas de construção civil estão de volta às carteiras dos investidores. Ações que chegaram a valer menos de R$ 2,00 acumulam alta de até três dígitos neste ano - e os analistas, às voltas com a redefinição de preços-alvo para o fim do ano, avaliam que o espaço para avanços não se esgotou.

Por trás do otimismo, estão fatores como o pacote habitacional do governo Lula e iniciativas para melhorar as condições de crédito das empresas. O impulso vem também dos investidores estrangeiros, os principais responsáveis pela tendência de preços desde que as companhias brasileiras do setor abriram capital na Bolsa, entre 2005 e 2007.

Levantamento realizado pela Economática com 35 empresas do setor até o fechamento da Bolsa no dia 7 indica que 24 apresentaram desempenho superior ao do Ibovespa neste ano. Com a percepção de risco Brasil mais favorável e a diminuição da taxa de juros doméstica, essas ações, assim como o Ibovespa, têm espaço para manter a recuperação.

"Ainda há uma perspectiva bem favorável, considerando as perdas que se acumularam nesses papéis nos últimos 12 meses", diz o analista de construção civil do Banco Fator, Eduardo Silveira.

Cinco empresas concentram a liquidez dos negócios na Bolsa: Cyrela, Gafisa e Rossi (as três integram o Ibovespa), além de MRV e PDG - estas duas focadas no perfil popular, a área prioritária do pacote habitacional. Outra companhia bem posicionada nesse nicho é a Tenda, que acumulava alta de 193% até o dia 7.

"Exposição à baixa renda, sólida gestão de caixa, alta velocidade de vendas e estoques relativamente baixos são aspectos que devem ser observados pelo investidor", diz Silveira. Mas é preciso estar atento aos fundamentos: vulnerabilidades específicas deixam algumas ações de fora do boom, como as da Klabin Segall, uma das duas do setor a acumular perdas em 2009 (-9,4%). "A empresa está muito endividada", explica a analista Cristiane Viana, da Ágora Corretora.

Fonte: Últino Segundo

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