Pesquisadores desenvolvem argamassa compósita flexível

sábado, 16 de maio de 2009

Pesquisadores da Universidade de Michigan desenvolveram um tipo de argamassa capaz de se recompor após grandes deformações. Chamado de ECC (Engineered Cement Composite), o material, criado no Laboratório de Pesquisas Avançadas de Materiais em Engenharia Civil, se regenera completamente depois de ser submetido a uma força de tração de 3%. Ou seja, depois de serem deformados, os elementos ensaiados voltaram à posição normal e "continuaram se comportando como novos", de acordo com Victor Li, professor de Ciência dos Materiais da universidade.
Essa capacidade de regeneração da argamassa deve-se essencialmente ao reforço de fibras sintéticas muito finas, que compõem cerca de 2% do volume total da mistura. As fibras formam uma rede que minimiza o fissuramento do elemento quando submetido a grandes carregamentos. De acordo com os pesquisadores, as fissuras devem ter menos de 150 micrômetros de espessura - de preferência menos de 50 micrômetros - para que a estrutura possa se regenerar. A espessura média das fissuras encontradas nos elementos produzidos com o ECC em Michigan fica abaixo dos 60 micrômetros.
Quando a fissura é aberta, a superfície do cimento extra-seco que compõe o ECC é exposta ao ambiente e reage com água e gás carbônico, formando uma fina camada de carbonato de cálcio. Em laboratório, o material exige até cinco ciclos de molhagem para recomposição completa.
A argamassa desenvolvida em Michigan permanece intacta e segura, segundo os pesquisadores, se submetida a forças tensoras de 5%. A tecnologia já foi adotada em projetos no Japão, na Coreia do Sul, na Suíça e na Austrália. O material foi usado em apenas algumas obras nos Estados Unidos.
O professor do departamento de engenharia de construção civil da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), Antonio Domingos de Figueiredo, observa que a aplicação do ECC no Brasil não é viável para a execução total de edifícios ou de estruturas, devido ao seu custo elevado. Vale lembrar que a argamassa é patenteada pelos pesquisadores de Michigan. "Acredito que, no País, o ECC possa ser utilizado para manutenção de certas estruturas que já estejam muito sobrecarregadas e que possuem uma circulação muito grande, como, por exemplo, em pontes", opina Figueiredo.

1 comment

parabéns pelo blog! continuem postando.

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4 de junho de 2009 às 15:21

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